
Segundo instituto Ipsos, filha do ex-ditador Alberto Fujimori terá 50,3% dos votos válidos contra 49,7% de Pedro Castillo. Como a margem está muito apertada, resultado será conhecido somente após a apuração, voto a voto.
Pesquisa de boca de urna das eleições presidenciais do Peru deste domingo (6) feita pelo instituto Ipsos aponta para uma vitória muito apertada da direitista Keiko Fujimori sobre o esquerdista Pedro Castillo: ela obteria 50,3% contra 49,7% do adversário, considerando os votos válidos.
Se os resultados se concretizarem, Keiko, de 46 anos, chegará à presidência peruana após derrotas consecutivas no segundo turno das eleições. Os números da apuração devem começar a sair por volta de 1h30 da manhã (de Brasília). Dado o resultado da boca de urna apertado, Pedro Castillo ainda pode conseguir uma virada.
Embora se coloque como representante da democracia e prometa respeito à Constituição, o sobrenome Fujimori faz com que ela ainda tenha muita rejeição — sobretudo porque ela ainda elogia o pai, Alberto Fujimori, que governou o Peru em um regime autoritário na década de 1990 e está preso por desrespeito aos direitos humanos. Ela mesma admitiu que prefere que o país viva uma “demodura”, o que chamou de “mistura de democracia e ‘mãos duras'” em relação ao crime.
Além disso, a herdeira do fujimorismo ficou presa entre 2018 e 2020, com intervalos em liberdade, por acusações de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht, em um escândalo de corrupção que atingiu políticos de diferentes partidos e grupos.
Keiko ficou muito perto de não se classificar para o segundo turno, após uma primeira votação bastante fragmentada. No campo da direita, os votos ficaram divididos principalmente entre ela e os candidatos Rafael López Aliaga e Hernando de Soto.
Com o segundo turno definido entre ela e Pedro Castillo, Keiko afiou o discurso contra o temor de que o Peru caísse em um governo de extrema esquerda próximo de regimes autoritários como a Venezuela. Esse posicionamento tem muito eco nas cidades mais ricas, principalmente a capital Lima.
Keiko inclusive conseguiu apoio do escritor Mario Vargas Llosa, que concorreu contra Alberto Fujimori e 1990 e representava um dos maiores nomes da oposição ao fujimorismo. O vencedor do Nobel de Literatura defendia que uma vitória da direitista seria a chance de o Peru permanecer um país democrático, citando o que classificou como risco de arroubos autoritários as propostas de Castillo.
